História da Esquadrilha da Fumaça, com Vídeo !

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História da Esquadrilha da Fumaça, com Vídeo !

Mensagem  Admin em Sex 28 Maio 2010, 21:45



1952 - 2009

Diferentemente de outros esquadrões de demonstração oficiais ao redor do mundo, o Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), conhecido popularmente como Esquadrilha da Fumaça, não foi criado simplesmente por uma ordem de gabinete ou decisão do comando, e talvez aí comece o sentido da paixão que se sente em cada “fumaceiro”. Suas origens remontam o ano de 1952, na então Escola de Aeronáutica (EAer), no Campo dos Afonsos (Rio de Janeiro) com um grupo de instrutores que resolveram demonstrar sua perícia para os cadetes na tentativa de motivá-los para a prática do vôo de acrobacia, além de despertar-lhes as vocações para a aviação de combate da FAB, bem como incentivá-los a confiarem em suas aptidões e na segurança das aeronaves.

Durante as horas de folga, no almoço ou final de expediente, esses oficiais treinavam, dentro dos limites de segurança exigidos, até chegar à perfeição, utilizando as aeronaves de treinamento avançado da EAer, os monomotores North American T-6 Texan. Os ten. Mário Sobrinho Domenech, Haroldo Ribeiro Fraga, Jayme Selles Collomer, Cândido Martins da Rosa e Paulo Cezar Rosa decolavam com seus T-6 e executavam uma grande variedade de manobras acrobáticas e de precisão diante dos olhares de todos. Inicialmente, apesar do grupo de T-6 estar junto, as manobras eram feitas de modo independente, solo, por cada piloto. A constância dessas “apresentações” aguçou o ânimo dos pilotos que passaram a se esmerar cada vez mais. Assim desses vôos para os cadetes, o grupo passou a voar longe dos olhares da base, onde tinham liberdade para ousar ao máximo e logo começaram a executar algumas acrobacias em conjunto. Inicialmente com duas aeronaves, mais tarde três e por fim quatro aviões.


Segundo o depoimento do próprio pioneiro Domenech: “entre alunos e obrigações administrativas, os jovens pilotos conseguiam arrumar tempo para decolar com quatro aviões e praticar as primeiras manobras em conjunto. Decolávamos na hora do almoço ou entre as aulas e voávamos em direção a Jacarepaguá ou Nova Iguaçu, onde realizávamos nossos treinos em segredo. No princípio praticávamos com dois aviões, e pouco a pouco fomos nos juntando, até que começamos a fazer loopings e tunneaus com quatro aviões em diamante”.

Após longo treinamento, os pilotos já haviam elaborado uma boa seqüência de manobras e acrobacia com quatro aviões, foram autorizados a realizar a primeira demonstração pública sobre o Campo dos Afonsos em 14 de maio de 1952. Era uma cerimônia cívico-militar da EAer, e estavam presentes, inclusive, delegações de oficiais estrangeiros. Nascia a Esquadrilha da Fumaça.

É importante ressaltar que até então, a esquadrilha não tinha nada com “fumaça”. Na verdade, a característica que se tornaria a marca registrada da equipe surgiu mais tarde, quando em uma viagem ao Colorado (EUA), alguns de seus membros viram uma exibição de quatro aviões soltando fumaça, escreveram o nome de um cigarro no céu. Um amigo do grupo, piloto da Varig, descobriu que aquela fumaça era produzida com óleo de limpeza de motor (flushing oil) que liberado no escapamento do motor da aeronave, que se encontrava em alta temperatura, resultava na fumaça branca de grande visibilidade. Não se perdeu tempo em adquirir um barril desse óleo e, de volta ao Brasil, criar um sistema para a aplicação nos T-6. Era um dia ensolarado de 1953 quando os Texan decolaram dos Afonsos, rumaram para a zona sul do Rio de Janeiro e escreveram “FAB” em letras enormes, sobre a praia de Copacabana. A irreverência dos cadetes e do povo carioca, não precisou mais do que isso para exprimir seu apreço à equipe com o carinhoso apelido de “Esquadrilha da Fumaça”.

Já no ano de 1955, a Fumaça foi dotada com cinco aeronaves exclusivas, que receberam uma pintura especial criada pelo já cap.-av. Jayme Selles Collomer. Iniciava uma época áurea para a esquadrilha, em que novos pilotos ingressaram, de modo a aumentar a disponibilidade operacional para poder atender ao grande numero de apresentações agendadas, que crescia cada vez mais.
Foi nessa fase que ingressou no EDA, em 1959, um piloto que se tornaria o mais lendário de todos os “fumaceiros”, Antônio Arthur Braga, o “Coronel Braga”. E justamente ele comenta que nesta fase se cristalizou aquilo que se tornaria a alma da unidade, o “espírito fumaceiro”: “é gostar de fazer acrobacia, dentro da disciplina e com muito treinamento, mas sobretudo gostar da acrobacia aérea. E também saber que a Fumaça não é só dar ‘cambalhotas’, ela é também aquele ‘relações públicas’. Seus membros são os ‘embaixadores’ da Força Aérea Brasileira”. O cel. Braga integrou o EDA por 17 anos, sendo 12 como seu comandante, e seu ultimo vôo oficial na unidade ocorreu em 31 de Janeiro de 1976, em Piquete (SP).

Enfim, em 1963, houve a oficialização definitiva (Portaria n°1.049/GM3 de 22 de Outubro de 1963), com a Esquadrilha da Fumaça tornando-se uma unidade própria e reconhecida da FAB, com o nome oficial de Esquadrão de Demonstração Aérea, deixando assim o Campo dos Afonsos para ser transferida para o Aeroporto Santos Dumont.

Em 1968, a FAB adquirira sete jatos de treinamento franceses Fouga CM.170 Magister, que foram designados T-24 no Brasil, e entregues no ano seguinte para a Esquadrilha. Embora tivessem boas qualidades acrobáticas, logo revelaram limitações sérias – sobretudo, a pequena autonomia de vôo (seu reator consumia querosene, que não existia com facilidade à época, na maioria dos aeródromos brasileiros) e a incapacidade de operar em pistas não-pavimentadas. Esta última, aliás, talvez fosse a mais séria, pois restringia drasticamente a capacidade da Esquadrilha de se apresentar pelo interior brasileiro. Porém um dos atrativos da máquina francesa era a capacidade de soltar fumaça colorida, graças ao sistema de saída dela pelo escapamento, na cauda do jato. Deste modo, embora voassem o Magister, os T-6 não foram retirados de operação. Pelo contrário, depois de apenas 46 apresentações, foram os CM.170 que deixaram de voar com a fumaça em 1974.


Após uma longa carreira de 34 na FAB, os North American T-6 fora desativados de todas as unidades aéreas brasileiras em 1976. Além disso, sua retirada também significou o fim das operações da Esquadrilha da Fumaça, pois não havia no mercado, outro modelo de características acrobáticas similares para substituí-los. Só para se ter uma idéia do quão querido o T-6 foi na FAB, o piloto com mais horas voadas no modelo, é até hoje, o cel. Braga, então comandante da Esquadrilha.

Entretanto, em seus 24 anos de operação e realizando 1.272 apresentações, a semente da Esquadrilha fora muito bem plantada e assim, não demoraria a germinar novamente.

Alguns anos mais tarde, já na Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP), o seu então comandante, brig.-do-ar Lauro Ney Menezes, decidiu incentivar a reativação de uma esquadrilha de demonstração aérea e para isso selecionou alguns de seus melhores instrutores, que iniciaram os treinos de acrobacia e vôos em formação com o avião então usado pela AFA na instrução dos cadetes, o Neiva T-25 Universal. E o legado da Fumaça, com suas tradições, foi garantido pela união ao grupo de um dos últimos “fumaceiros” dos tempos do T-6, o maj. Geraldo Ribeiro Júnior. Por ocasião da solenidade de entrega dos espadins aos cadetes do primeiro ano da AFA, no dia 10 de julho de 1980, acontecia a primeira apresentação da nova equipe, que recebeu o apelido de “Cometa Branco” (nome homenageando o código-rádio utilizado pelas aeronaves da AFA).


Em 16 de agosto de 1980, a Embraer fazia voar seu treinador EMB-312. Turboélice monomotor, monoplano, o avião criava um novo padrão, com cockpit de dois lugares em tandem, com configuração, layout e equipamentos de jato. Seus tripulantes contavam com assentos ejetáveis Martin-Baker, sistemas de oxigênio e equipamentos completos de comunicação e navegação. Sem falar na sua aerodinâmica refinada. Recebeu aprovação quase que de imediato para se tornar o treinador padrão da FAB e entrou em produção em 1982, ganhando o nome de “Tucano” e designação militar de T-27.

As primeiras entregas ocorreriam em setembro de 1983 e em 21 de outubro, renascia a Esquadrilha da Fumaça, oficialmente designada EDA – Esquadrão de Demonstração Aérea. Em 8 de dezembro, a unidade receberia seu novo equipamento de vôo – o Embraer T-27 Tucano.
Desde então, a estrutura da unidade tem se mantido quase a mesma. São 13 pilotos, sendo que sete normalmente tomam parte nas demonstrações, seguindo um esquema de revezamento.




A Fumaça viveu um período de paralisação de suas atividades iniciada no final dos anos 90, durando até 25 de fevereiro de 2002, quando seus Tucano passaram por uma revisão completa e alguns trabalhos que incluíram reforços estruturais. A “pausa” foi bem aproveitada pela equipe de manutenção, trocando o então padrão de pintura vermelho e branco dos Tucano, pelo atual, nas cores da bandeira brasileira (criada pelo cap.-av. José Roberto de Oliveira).

Sendo a segunda mais antiga esquadrilha oficial de demonstração aérea do mundo (a primeira são os Blue Angels, da US Navy), a Fumaça é detentora de alguns recordes mundiais no Guinness Book, listados abaixo:

•Recorde Mundial de vôo de dorso em formação com dez aparelhos durante 30 segundos. Dia 23 de outubro de 1996;
•Recorde Mundial de vôo de dorso em formação com onze aeronaves por mais de 30 segundos. Dia 18 de maio de 2002, na comemoração de seu 50º aniversário de criação;
•Recorde Mundial de vôo de dorso em formação com doze aparelhos por mais de 30 segundos. Dia 29 de outubro de 2006;


Até o presente, o EDA já efetuou três cruzamentos do Oceano Atlântico em vôo de formação, realizando apresentações em países como: Alemanha, Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Equador, Estados Unidos, França, Paraguai, Portugal, República Dominicana e Uruguai, entre outros.
Com seus exemplos de doutrina, segurança, profissionalismo e dedicação, o EDA e seus integrantes comprovam que o esforço do ser humano em aperfeiçoar-se e superar-se a cada dia, constituem a capacidade e o espírito de todos os pilotos e integrantes da Força Aérea Brasileira.

Agradecimentos especiais: Comunicação Social da AFA. Centro deComunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), cad. Marcos Teixeira pela especial atenção prestada no Domingo Aéreo 2009, Escritório de Contabilidade Chiesso e Valdenir, Nippon Motos, Catelan Presentes, Apoio Acessoria Contábil e Auto Posto Coopercitrus.

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Por Rafael Rinaldi








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